Aécio fecha com DEM em 90% dos estados




Aécio busca o DEM para aprofundar diálogo e apoios para candidatura

Tucano avalia que situação entre as duas legendas está resolvida em 90% dos estados e diz que aliança é ‘natural’


BRASÍLIA – Para tentar contornar a crise de alianças nos estados com um dos principais parceiros do PSDB, o senador e presidenciável tucano Aécio Neves (MG) se reuniu nesta quinta-feira com o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), e mapeou os locais onde será preciso investir mais em diálogo para garantir apoio do partido à sua candidatura. Após o encontro, Aécio disse que a situação entre as duas legendas estaria resolvida em 90% dos estados, mas as queixas de demistas país afora, inclusive no Rio de Janeiro, contradizem o cálculo do tucano.

— Posso dizer que em 90% dos estados a aliança do PSDB com o Democratas está consolidada, até porque é uma aliança natural — disse Aécio, estocando a coligação governista comandada pelo PT: — Essas alianças feitas por cima, a fórceps, através da distribuição de cargos, de favores, acabam não tendo uma correspondência na realidade local e acabam não tendo o feito eleitoral que alguns acham que terão.

No encontro, Agripino fez um alerta a Aécio sobre a relação entre PSDB e o DEM no Rio, onde os partidos estão praticamente rompidos devido à relutância de Aécio em apoiar o ex-prefeito César Maia como candidato ao governo do estado. O dirigente do DEM orientou o tucano a chamar César e seu filho, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para uma conversa de ajuste de ponteiros.

Rodrigo é um dos que mais demonstram insatisfação com o tratamento que seu partido vem recebendo do PSDB e ameaça, inclusive, oferecer palanque para outros presidenciáveis, como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).
— Não é verdade o que o Aécio falou, não vi esse clima de 90% das situações resolvidas. Infelizmente, tem muitos problemas. Entra ano, sai ano, o PSDB não aprende que as relações de amizade e parceria têm que ser priorizadas. Hoje, há muito mais estados insatisfeitos do que satisfeitos. É ruim Aécio dizer o contrário, porque fica parecendo que ele está com o cenário errado. César Maia é o candidato ao governo do Rio, com ou sem o apoio do PSDB. No plano nacional, cada estado vai apoiar quem se sentir mais confortável, pode ser Aécio, Eduardo Campos ou Randolfe — disse Rodrigo Maia.

O senador Agripino tentou conter as críticas de seus correligionários e disse que, apesar de haver divergências entre PSDB e DEM, elas serão trabalhadas pelo próprio Aécio, que já estaria organizando uma agenda de conversas no Rio, Goiás e Mato Grosso do Sul. Mas, ao sair do encontro, Aécio fez uma leitura mais otimista da reunião. Chegou a dizer que não será preciso atuar em quase nenhum estado.

— É óbvio que no nosso sistema político as alianças são importantes. Então, aqui foi uma parada para fazer uma análise que, tanto ao presidente do DEM, senador Agripino, quanto a mim, nos deixou extremamente felizes. Porque não temos quase que atuar em estado nenhum, porque os próprios companheiros cuidaram de fortalecer e consolidar essa aliança — disse o tucano.
Agripino explicou que, independentemente da resolução com os tucanos, o projeto eleitoral do DEM este ano será focado nas composições locais, tendo em vista o crescimento do partido nos estados. A perspectiva de uma aliança no plano nacional para apoiar a candidatura de Aécio Neves, disse, não irá pautar as conversas nos estados:

— A prioridade do DEM é a composição nos estados, não haverá submissão dos quadros locais ao cenário nacional. No Rio de Janeiro, o DEM está solidário em qualquer circunstância às pretensões de César Maia. Se chegarmos a um entendimento com o PSDB lá, ótimo, se não, ele continuará tendo nosso apoio para ser candidato.
Mas sobre a possibilidade de o DEM indicar o vice de Aécio, ambos os senadores desconversaram. Para Agripino, tratar disso agora enfraquece as alianças nos estados.Aécio completou: