Imunologista-chefe dos EUA prevê explosão de Covid-19 após Ação de Graças



"Em duas ou três semanas, poderemos ver um novo surto além do atual", alertou ele
Por AFP
29/11/20 - 16h01
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O tradicional desfile da Macy's, que marca o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos

Foto: Scott Heins / GETTY IMAGES NORTH AMERICA /AFP


O imunologista Anthony Fauci, uma personalidade científica muito respeitada nos Estados Unidos, alertou neste domingo (29) para um forte aumento na curva de contágios por covid-19 depois do feriado de Ação de Graças, que motivou o deslocamento de milhões de pessoas pelo país. "Em duas ou três semanas, poderemos ver um novo surto além do surto atual" de novas infecções pelo novo coronavírus, alertou Fauci ao canal ABC. O cientista é diretor governamental do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas.

Na quinta-feira passada, as famílias dos Estados Unidos comemoraram o Dia de Ação de Graças, levando ao menos 1,1 milhão de pessoas a viajar de avião no dia anterior, um recorde desde o começo da pandemia no país, em março, segundo dados da agência TSA, responsável pelos controles de segurança nos aeroportos.

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"Este fim de semana, com todas essas viagens, é realmente preocupante para nós", disse o vice-secretário de saúde, Brett Giroir, à rede CNN.

"As hospitalizações alcançaram atualmente um pico de quase 95 mil. Aproximadamente 20% dos pacientes dos hospitais têm covid, portanto este é um momento muito perigoso", garantiu o funcionário.

As internações hospitalares por covid-19 aumentaram em 46 estados dos EUA, incluindo Nevada, Ohio e Pensilvânia, de acordo com dados do jornal "The Washington Post".

Os Estados Unidos, o país mais castigado do mundo pelo coronavírus com mais de 266 mil mortes, superaram na sexta-feira os 13 milhões de casos, segundo contagem feita pela Universidade Johns Hopkins, referência no acompanhamento da pandemia. Fauci explicou que não estava previsto flexibilizar as recomendações de não viajar ou as restrições antes do Natal.

Na Califórnia foram implementadas novas restrições diante do aumento de casos: foi decretado um toque de recolher em San Francisco e Los Angeles proibiu a maioria das reuniões públicas e privadas desde a segunda-feira. "Fechem os bares e mantenham abertas as escolas", aconselhou Fauci.

O imunologista tentou, porém, tranquilizar os cidadãos, recordando que em dezembro estaria disponível uma vacina para as pessoas com maior vulnerabilidade de desenvolver uma forma grave da doença. É necessário que a gente saiba que "o processo de desenvolvimento desta vacina se fez com rigor científico. A segurança não foi comprometida", insistiu.

As primeiras doses da vacina contra a Covid-19 das empresas Pfizer e BioNTech chegaram aos Estados Unidos vindas da Bélgica, noticiaram neste domingo vários meios de comunicação dos Estados Unidos. A vacina da Pfizer/BioNTech afirma ter uma eficácia de 95% contra o vírus. "É uma vacina capaz de salvar vidas", disse Giroir. "É assim que venceremos a pandemia. É a luz no fim do túnel", garantiu.

Criatividade e sustentabilidade: Casa Fiat de Cultura inaugura presépio de Natal


Construído com recicláveis, presépio colaborativo é um convite à reflexão e ao pensamento ecológico
Por LETÍCIA FONTES
27/11/20 - 03h54
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Foto: Flavio Tavares


Para alguns, são só papel e papelão. Mas para o artista plástico Leo Piló, os materias são sinônimos de caridade, esperança e fé. E a menos de um mês para o Natal, mesmo com o momento de restrição imposto por conta da pandemia do coronavírus, a tradição em recriar a chegada do menino Jesus ao mundo não poderia ter melhores companhias.

Pelo sexto ano consecutivo, mantendo o espírito natalino, a Casa Fiat de Cultura inaugurou, nesta quinta-feira (26), o tradicional presépio colaborativo na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Com a ajuda, a distância, de mais de 50 colaboradores voluntários, o projeto esse ano conta com mais de 400 peças confeccionadas em papel kraft e papelão a partir de técnicas de dobraduras, empapelamento, texturização e alfaiataria em papel. O presépio ficará exposto até o dia 6 de janeiro.

"Esse ano fizemos todas as oficinas pela internet e tivemos um resultado surpreendente com muitos colaboradores. E eu acho que isso não é só reflexo do Natal, mas do momento em que estamos vivendo. A reflexão que gostaríamos de propor é que reutilizar esses materiais vá muito além da reciclagem, mas é ressignificar o valor das coisas, vê o que tem valor a sua volta. E Natal é isso, não é perder o seu tempo e o seu dinheiro. Mas do que nunca estamos vendo que tudo que precisamos está debaixo do nosso nariz", explica o artista e curador do presépio, Leo Pilo.

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Segundo Piló, a inspiração para a criação do presépio esse ano veio da figura materna. O objetivo ainda vai além: oferecer também um novo olhar a objetos comuns e, muitas vezes, banalizados. "O Natal é solidário, é sustentável, é mais coletivo. Nosso planeta é único, precisa de novos hábitos e o presépio é uma forma de despertamos isso nas pessoas", acredita.

Os cinco vídeos, com passo a passo de como fazer os enfeites, podem ser vistos no canal da Casa Fiat de Cultura no YouTube.

Visitação
Em função do distanciamento social, as pessoas só poderão ver o presépio do lado de fora, através de uma vitrine de 10 metros de largura. A visitação é gratuita. "Foi a forma mais segura que encontramos de manter a tradição e respeitar todas as medidas de saúde. A minha dica ao visitar é ir no pôr do sol, poder ver as luzes", conta Leo.



Programe-se
Presépio Colaborativo da Casa Fiat de Cultura
Quando: até 6 de janeiro
Onde: vitrine da Casa Fiat de Cultura, no Circuito Liberdade (Praça da Liberdade, 10, Bairro Funcionários, Belo Horizonte)
Quanto: gratuito

Começa nesta terça-feira, online, o Festival do Cinema Italiano


Ao todo, são 25 filmes disponíveis, divididos em duas categorias: Cinema Contemporâneo Italiano, com novos diretores, e a Mostra Retrospectiva das Estrelas
Por ESTADÃO CONTEÚDO
24/11/20 - 10h52
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"Desde que começamos a escrever eu pensava em Alessandro Gassman, filho de Vittorio, como protagonista", diz o diretor, sobre "Non Odiare", Mauro Mancini

Foto: Belas Artes à La Carte/Divulgação



Começa nesta terça-feira, 24, o Festival de Cinema Italiano. Enquanto o Varilux (do Cinema Francês) escolheu ser presencial, o do país da bota segue no ambiente online, cm acesso gratuito para os assinantes da plataforma do Cine Petra Belas Artes, Belas Artes A La Carte, que podem assistir aos filmes por um período de 15 dias. Para quem não é assinante, o acesso ao pacote de filmes custa R$ 9,90.

Entre as atrações, está, por exemplo, "Padrenostro", de Claudio Noce, que rendeu a Pierfrancesco Favino o prêmio de melhor ator por Padrenostro, de Claudio Noce. O filme retorna aos anos de chumbo, ao terrorismo dos anos 1970, quando a Itália cindiu. No Lido, Noce repetiu várias vezes que seu filme não era político, mas uma crônica familiar, uma história de pai e filho. "Padrenostro" estreou na Itália em 24 de setembro. Ficou três semanas em cartaz até o novo lockdown na Itália, por causa da pandemia.

Outra atração do festival deveria ter estreado em abril - "Cosa Sarà", de Francesco Bruni -, mas somente chegou às salas em 24 de outubro. Kim Rossi Stuart faz o cineasta diagnosticado com leucemia. Ele cai na estrada com o pai e a filha em busca de uma suposta irmã, que poderá ser a doadora de medula na cirurgia que precisa fazer. "Ao mesmo tempo que tem a estrada, no filme tem toda a parte cirúrgica, o tratamento de quimioterapia. Fiquei com medo de que as pessoas não se interessassem pelo filme na pandemia, mas o carisma de Kim ajudou bastante".

Mais um filme que chega ao festival via Veneza é "Non Odiare", de Mauro Mancini. "A ideia deste surgiu quando encontramos essa história ocorrida na Alemanha, de um médico judeu que se recusa a operar um paciente que tem a suástica tatuada no ombro. No limite, ele terminou operado por outro cirurgião, mas a ideia ficou conosco. E se a intransigência do médico tivesse levado o paciente a óbito?", diz o diretor.

Ele fala, ainda, que, desde o início em Alessandro Gassman, filho de Vittorio, como protagonista. "Queria evitar o estereótipo e, ao mesmo tempo, pensava num filme muito austero. Desde o início trabalhei com um conceito de mise-en-scène. Os personagens deveriam estar isolados em seus mundos. O que não dizem é mais importante do que aquilo que dizem, e a luz, os movimentos de câmera expõem o interior de forma muito visceral. Vivemos hoje num mundo em que as pessoas fazem questão de manifestar seu ódio. Creio que, neste sentido, a Mostra d'Arte Cinematográfica de Veneza deste ano, com os condicionamentos determinados pela Covid 19, nos levou a refletir de uma maneira profunda sobre o mundo em que vivemos", avaliou, em Veneza.

A par dos inéditos, o festival também promove uma retrospectiva de grandes estrelas. São 12 títulos considerados clássicos, incluindo "Rocco e Seus Irmãos", de Luchino Visconti; "A Aventura", de Michelangelo Antonioni; "Gaviões e Passarinhos", de Pier-Paolo Pasolini; "Il Segreto del Vecchio Boscchio", de Ermanno Olimi, e "Cesare Deve Morire", dos Irmãos Taviani.

Ermanno Olimi assina talvez um dos filmes mais misteriosos na retrospectiva do Festival Italiano de 2020. Baseia-se no livro de Dino Buzzatti, e ambos, romance e filme, têm tudo a ver com o que se passa no Brasil. O presidente Jair Bolsonaro tentou comprar briga com os países europeus que estariam, segundo ele, devastando a Floresta Amazônica. Não mostrou provas. "Il Segreto del Bosco Vecchio" é sobre general que assume um projeto para devastar floresta na Itália. Mas não o leva adiante porque possa a ser perseguido pelo segredo do título - as vozes dos fantasmas que habitam a região.

Outros destaques

* "Il Ladro di Giorni". De Guido Lombardi, a história do garoto traumatizado ao ver o pai ser preso diante dele. Agora ele volta, em liberdade, para tentar reatar a ligação. Com Riccardo Scamarcio e Augusto Zazzaro.

* "5 É Il Numero Perfetto". Igort dirige o thriller dramático baseado em sua história em quadrinhos. Foi apresentado na seção Giornate Degli Auttori no Festival de Veneza do ano passado. Com Toni Servillo e Valeria Golino. Camorrista da velha guarda tenta vingar a morte do filho

* "Burraco Fatale". Quatro amigas que adoram jogar cartas inscrevem-se num torneio de profissionais. Giuliana Gamba dirige Angela Finocchiaro, Claudia Gerini e Loreta Goggi. É o início de uma aventura que as levará a um mundo que elas nem sonham.

Ao todo, são 25 filmes disponíveis, divididos em duas categorias: Cinema Contemporâneo Italiano, com novos diretores premiados, e a Mostra Retrospectiva das Estrelas (com clássicos como "O Carteiro e o Poeta").

O festival estará disponível por 15 dias, a partir desta terça, em todo o Brasil. O usuário tem de entrar na página para escolher os filmes que quiser ver. Dentro da página do filme, deve clicar no botão 'assistir' e será direcionado para o site do Belas Artes

Orquestra Ouro Preto faz concerto em homenagem à obra de Fernando Brant e Bituca


Apresentação acontece diretamente da Igreja Nossa Senhora do Carmo, na antiga Vila Rica, e terá a participação especial da cantora Mariana Brant, sobrinha de Fernando
Por DA REDAÇÃO
21/11/20 - 10h00
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A cantora Mariana Brant fará uma homenagem ao tio, o saudoso compositor Fernando Brant, em uma live com a Orquestra Ouro Preto neste sábado (21)

Foto: Myriam Vilas Boas/Divulgação


Um dos trabalhos mais recentes e celebrados da Orquestra Ouro Preto é o concerto "Quem Perguntou Por Mim", que faz uma homenagem à obra de Fernando Brant e Milton Nascimento.

Neste sábado, a partir das 20h30, o espetáculo será apresentado em uma live direto de um dos cartões postais mais belos e importantes da antiga Vila Rica, a Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Com transmissão ao vivo no canal da Orquestra Ouro Preto no YouTube, “Quem perguntou por mim" revive grandes clássicos dessa parceria tão profícua da Música Popular Brasileira como “Travessia”, “Milagre dos Peixes”, “Encontros e Despedidas”, “Canção da América”, "Nos Bailes da Vida" e “Maria Maria”.

Com regência e direção musical do Maestro Rodrigo Toffolo, produção executiva da Palco Marketing Cultural, direção de cena de Paulo Rogério Lage e arranjos de Mateus Freire, o espetáculo vai contar com a participação especial da cantora Mariana Brant, sobrinha do compositor homenageado.

'A gente que é de matriz africana é de fé', diz Tizumba sobre o atual cenário



Maurício Tizumba, nesta sexta-feira (13), leva o projeto Tambor Mineiro para as ondas da internet
Por FELIPE PEDROSA | @JFELIPEPEDROSA
13/11/20 - 18h49
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Maurício Tizumba, durante a pandemia, experimentou fazer lives

Foto: Patrick Arley/Divulgação



O ano de 2020 não está sendo fácil para ninguém — muito menos para a classe artística. Maurício Tizumba, por exemplo, em agosto passado, fechou as portas do Espaço Tambor Mineiro, que ficava no bairro Prado, na região Oeste de Belo Horizonte, e teve que se reinventar, ou melhor, aprender a disseminar suas mensagens e sons pelas plataformas online. O artista, no entanto, em um bate-papo com a coluna Trem Para Fazer, do programa Manhã Super, da rádio Super 91,7 FM, deixou claro que tem vários projetos sendo gerados, que o centro de referência da cultura afro-brasileira será reaberto e que ele jamais perde a fé.

"A fé sempre me acompanhou, e eu nunca tive medo de mudanças”, sinalizou Tizumba, revelando de onde vem a força, a fibra, a energia para continuar: "A gente que é de matriz africana, a gente que atravessou o atlântico sequestrado em navios negreiros, é povo de fé, é povo de resistência”, afirma ele. “E é isso o que faz a gente mover e continuar”, completa.

E uma das alternativas — não só para Tizumba, mas para tantos outros artistas independentes — é se jogar nas novas plataformas. Por isso, o músico e percussionista deixa, durante este período de pandemia, os espaços públicos e migra para o 4G, ou Wi-Fi, como você preferir. O projeto Tambor Mineiro, referência na cena cultural de BH, terá uma edição online nesta sexta-feira (13), a partir das 20h, no canal da Cia Burlantins, no YouTube.

“O Tambor na Praça, na versão virtual, é um pouco mais difícil, complexo, porque na praça você tem o calor das pessoas, da plateia ali junto… e o virtual é complicado, é um desafio, pois nós temos que colocar uma energia legal para quem está do outro lado do vídeo”, explica Tizumba, que na apresentação inédita terá a presença de Renato Motha, seu parceiro desde o início dos anos 80.



Futuro
Tizumba, no bate-papo com a rádio Super 91,7, adiantou ainda um pouco do que vem por aí, num futuro não tão distante. Ao lado de Renato Motha, seu convidado desta sexta-feira (13), e de Patrícia Lobato, ele lançará o disco “Terreiro Zen”. “Eu estou também com um disco do Vander Lee chegando, com o disco que lancei com o Sérgio Pererê, mas que ainda não fizemos o show, e tenho planos de criar um disco novo aí pela frente”, disse.

Certo de sua missão, com a cultura afro-brasileira e com a cultura popular, Tizumba não pretende parar. Além dos discos e shows, assim como os projetos que sempre tocou na capital mineira, ele pretende encontrar uma nova casa para o Tambor Mineiro. “Espero que possa ter um espaço novo em 2021 para continuar trocando essa ideia de tambor na praça, tambor na rua e tambor em todos os lugares possíveis”, finaliza o artista.

O Tambor na Praça, versão virtual, pode ser conferido nesta sexta-feira (13), às 20, no canal da Cia Burlantins, no YouTube. Para conferir, clique aqui!

Kalil,faz vídeo de agradecimento para seu líder de governo Léo Burguês.



Raiva contra a Igreja católica está longe de se extinguir nos EUA



Em 2002, a Igreja Católica nos Estados Unidos adotou regulamentos internos que preveem a comunicação sistemática aos tribunais em caso de suspeitas
Por AFP
11/11/20 - 15h52
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Ex-arcebispo de Washington Theodore McCarrick foi afastado trinta e cinco anos depois de ser acusado de abuso sexual

Foto: CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP



A publicação de um relatório do Vaticano sobre um ex-cardeal americano acusado de crimes sexuais reacendeu a ira das vítimas contra a Igreja católica nos Estados Unidos, acusada de ainda não ter assumido todas as suas responsabilidades.

Trinta e cinco anos de impunidade. Esse foi o tempo entre a primeira denúncia de um seminarista contra o ex-arcebispo de Washington, Theodore McCarrick, e sua demissão, no ano passado, aos 88 anos, segundo o relatório da Santa Sé publicado na terça-feira.

"Como vítima, é sempre repugnante", reagiu Mark Rozzi, um legislador da assembleia da Pensilvânia, estuprado por outro padre na pré-adolescência. "É de partir o coração para as vítimas ver que eles preferem acreditar nesses predadores do que neles."

Depois de uma longa lei do silêncio, a Igreja Católica americana tem sido regularmente contestada publicamente nas últimas duas décadas por casos de abusos sexuais e por encobri-los.

O último gesto de transparência, iniciado pelo papa Francisco, é apreciado, mas "o relatório me parece culpar principalmente homens que já morreram", disse Zach Hiner, diretor-executivo da rede Snap de apoio às vítimas.

Segundo ele, alguns nomes foram omitidos "porque ainda estão em seus cargos".

Em 2002, a Igreja Católica nos Estados Unidos adotou regulamentos internos que preveem a comunicação sistemática aos tribunais em caso de suspeitas, abandono de acordos de confidencialidade e sanções internas.

Desde então, os abusos relatados diminuíram significativamente.

No entanto, "a conferência episcopal (USCCB) se comporta como se fossem escândalos antigos, algo que não acontece mais hoje", mas casos recentes, especialmente aqueles que ocorreram em Nova Orleans entre 2013 e 2015 e em Michigan em 2013, mostram que não é assim ", enfatiza Zach Hiner.

O chefe do Snap lembra que a idade média em que as vítimas de agressão sexual se declaram como tal é de 52 anos, por isso costuma haver um efeito de atraso.

"Traição"

Para compensar a demora entre os fatos alegados e as denúncias, vários estados recentemente prorrogaram o prazo de prescrição para esses crimes.

Alguns, como Nova York, chegaram a abrir uma janela por alguns meses que permitia às supostas vítimas iniciar processos judiciais, independentemente da data dos supostos fatos. Mais de 3.000 pessoas se beneficiaram com essa opção.

A medida visa combater a impunidade de centenas de padres sancionados, que normalmente foram afastados da Igreja, mas nunca foram identificados ou acusados em juízo até, finalmente, serem cobertos pela prescrição.

Mark Rozzi espera trazer essa janela para a Pensilvânia no próximo ano. Para ele, a única maneira de chegar ao coração da Igreja é atacando seu bolso. “A única coisa que a Igreja Católica sempre amou foi o dinheiro”, diz ele.

Essa nova onda de processos poderia aumentar as despesas por danos, juros e outras indenizações para mais de quatro bilhões de dólares no total desde o início dos anos 1980.

Declarando-se incapazes de cumprir suas obrigações financeiras, pelo menos 11 dioceses foram colocadas sob proteção nos últimos dois anos, segundo o site Bishop Accountability.

“Na maioria das vezes é falso”, contesta Mark Rozzi.

Eles "transferem o dinheiro para outro lugar para proteger seus bens" e não compensar as vítimas. De acordo com o independente Pew Research Center, a população católica é, entre as principais religiões, a que diminui mais rapidamente nos Estados Unidos.

“A traição de sua confiança” sofrida por membros da Igreja Católica “atravessou várias gerações”, explica Stephen White, diretor do Projeto Católico, iniciativa da Universidade Católica dos Estados Unidos.

“Restaurar a confiança abalada levará décadas”, acrescenta.

E apesar de a associação CHILD USA revelar, em relatório publicado em outubro, que a implementação foi desigual, insuficiente e prejudicada por conflitos de interesse, muitas dioceses buscam aprimorar suas práticas para melhorar a transparência, mostrando-se mais vigilante e protegendo melhor as supostas vítimas.

“Estão começando a perceber que, se não começarem a fazer as coisas direito, vão desaparecer”, diz Mark Rozzi. "Mas pode ser tarde demais."

“Tenho esperança e confiança”, diz Zach Hiner, que afirma confiar em suas conversas com os paroquianos, “que tentam fazer sua Igreja avançar”. “Pode não ser tão rápido quanto gostaríamos”, admite, especialmente devido ao envelhecimento e à falta de renovação da hierarquia eclesiástica, “mas está em andamento”.