segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Aécio: "O Carnaval está muito além de uma celebração passageira"



Aécio Neves / Folha de São Paulo

Muito além de uma celebração passageira


É uma festa bonita de ver. De Norte ao Sul do país, nas ruas e praças das grandes capitais ou no interior, os brasileiros se entregam ao carnaval com uma paixão contagiante. Não importa se vestido como um rei para desfilar na avenida ou coberto de roupas velhas e muita purpurina em um bloco no fundo do quintal, o folião brasileiro é a imagem da alegria que encanta turistas do mundo todo. A maior e mais democrática festa popular do país, no entanto, vai muito além da celebração passageira que se esvai na quarta-feira de cinzas. Falar de Carnaval é falar de inclusão.

Nos últimos anos, em especial, cidades que eram muito esvaziadas pela população local nesse período do ano, como Belo Horizonte e São Paulo, estão construindo uma realidade totalmente diversa, com o carnaval ganhando um protagonismo inédito. São centenas de blocos e milhões de pessoas nas ruas. O notável nesse fenômeno é que ele é basicamente movido pela organização popular, especialmente dos jovens. São eles que estão moldando esse novo experimento urbano e, ouso dizer, também político.

A força do carnaval de rua vem do trabalho voluntário. Os batuqueiros compram seus próprios instrumentos, cada participante escolhe sua fantasia, os ensaios são realizados em praças ou em locais alugados via financiamento coletivo, os regentes de baterias ensinam gratuitamente, os repertórios são decididos em conjunto e as redes sociais são usadas intensamente para mobilizar e organizar os encontros. Ao contrário das escolas de samba, onde vigora um planejamento rigoroso e uma hierarquia de comando sem a qual nada funciona, os blocos de rua são realizações ricas em espontaneidade, espírito de grupo e voluntarismo.

O resultado é uma explosão de diversidade –cultural, racial, sexual e social. Todas as tribos cabem nos blocos. Negros e brancos, heteros e LGBTs, idosos, jovens e crianças, moradores de periferia e da zona sul, profissionais do sexo e religiosos de várias crenças, ricos e pobres, a rua é de todos. Lado a lado, em convivência harmoniosa, cantando as mesmas marchinhas durante horas. Bem distante do estereótipo de alienação que já acompanhou a folia momesca, o que temos aqui é uma verdadeira aula de cidadania e de inclusão social.

É nos jovens que enxergo o desejo de se apropriar do espaço público com bom humor e consciência crítica. Nos últimos anos, eles vieram para as ruas protestar e de lá não saíram. Muitos dos blocos de hoje estão cheios de irreverência e de ativismo.

A juventude, lá e cá, veio para ficar. São vozes que precisamos ouvir e que certamente continuarão ecoando, mesmo depois de guardados os tamborins, as cuícas e os restos de fantasia.

Aécio Neves




Compartilhar

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Aécio : "Redução do juros ajudará o país a sair da recessão"





Redução do juros ajudará o país a sair da recessão’, diz Aécio Neves sobre Selic
Maria Lima - O Globo


BRASÍLIA - O senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, publicou uma nota em que celebra a decisão do Banco Central de cortar a Selic de 13% para 12,25% ao ano. Segundo o senador, a medida “ajudará o país a acelerar a saída da recessão”. A redução desta quarta-feira foi feita a fim de manter o ritmo acelerado de redução da taxa básica de juros da economia.

Segundo o senador, o “atual ciclo de baixa da Selic”, em referência à última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que já havia cortado os juros básicos de 13,75% para 13%, “tem tudo para ser sustentável e duradouro, ao contrário da irresponsável experiência do governo passado, com malfadados cortes feitos na marra que custaram caro aos brasileiros em termos de inflação”. O corte, entretanto, não foi o suficiente para retirar o Brasil do topo da lista de países com maiores juros reais do mundo (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses).

“Temos agora diante de nós uma chance única de acabar com a anomalia dos juros altos, que tanto penaliza os brasileiros, onera os governos, atrapalha os investimentos e a geração de empregos. Tudo isso sem descuidar da alta dos preços. A condição para tanto inclui não fraquejar no ajuste das contas públicas e na reforma do Estado”, concluiu Aécio.



Leia mais: http://oglobo.globo.com/oglobo-20966850#ixzz4ZWCvCS6A

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

STF retoma julgamento que ameaça Fernando Pimentel



STF retoma julgamento que ameaça Fernando Pimentel
A ação discute a necessidade de autorização da Assembleia Legislativa de MG para o recebimento de denúncia contra o governador pelo STJ

Brasília – A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, pautou para o dia 2 de março a retomada do julgamento que pode levar ao afastamento do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

A ação ajuizada pelo DEM discute a necessidade de autorização da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para o recebimento de denúncia contra o governador do Estado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), e seu consequente afastamento.

O processo é o primeiro item da pauta de julgamento da sessão plenária marcada para 2 de março.

Em dezembro do ano passado, o relator do caso, ministro Edson Fachin, já votou no sentido de dispensar a autorização prévia da assembleia legislativa mineira para processar e julgar o governador por crime comum perante o STJ.

O julgamento, no entanto, foi interrompido depois de pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em 19 de janeiro.

O Democratas pediu à ministra Cármen Lúcia a retomada do julgamento, por considerar que o pedido de vista é “pessoal”, se encerrando no momento em que ocorre a vacância do cargo daquele que a solicitou.

Para o Democratas, o Estado de Minas Gerais atravessa “uma de suas maiores crises institucionais”, o que deve levar o STF a buscar uma definição sobre a “validade do texto da Constituição Mineira que, expressamente, e por deliberada decisão do Constituinte Decorrente, dispensou a autorização prévia para processamento do Sr. Governador”.

Denúncia

Em maio do ano passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Pimentel ao STJ por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Acrônimo.

O petista é acusado de receber propina da montadora de veículos Caoa para favorecê-la no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pasta que comandou de 2011 a 2014 durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff.

O governador e a empresa negam irregularidades no caso.

http://exame.abril.com.br/brasil/stf-retoma-julgamento-que-ameaca-fernando-pimentel/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Aécio : " Notícia falsa virou também negócio lucrativo"


Aécio Neves / Folha de São Paulo

Pós-Mentira

Tão longe quanto um espelho retrovisor da longa jornada da humanidade fosse capaz de refletir, o embate entre a verdade e a mentira estaria ali registrado em todas suas cores. Costuma-se dizer que a mentira é a mais antiga arma da política. Ou que nas guerras a primeira vítima é sempre a verdade. São frases pertinentes no para-choque do caminhão da história.

Agora, pelo bem ou pelo mal e graças ao avanço da internet, o conflito entre os dois polos ganha mais atenção.

Verdade e mentira deixaram de significar o que sempre foram com toda clareza. Vivemos a era da "pós-verdade", a palavra do ano do Dicionário Oxford em 2016. Apresentar fatos verdadeiros não é mais tão essencial, pois podem muito bem existir os "fatos alternativos". Assim, lado a lado, convivem as notícias no sentido clássico com as "notícias falsas". Na Califórnia já há até um projeto de lei para que as crianças aprendam na escola a identificar o que é falso nas redes sociais.

A campanha eleitoral americana acelerou esse debate, mas a raiz está na própria emergência da internet como grande fenômeno da comunicação em nosso tempo.

Antes, para falar com uma audiência de massa, era necessário usar um veículo de comunicação. Hoje, um adolescente conquista milhares de seguidores no YouTube, apenas com seu talento espontâneo.

Cada cidadão passou a dispor de canais para falar do que quiser. É uma formidável democratização da comunicação. Ajuda muito quando há o uso responsável da informação. E presta sempre mau serviço quando calunia e difama pessoas, empresas e instituições.

Domingo (19), a Ilustríssima, desta Folha, mostrou que notícia falsa virou também negócio lucrativo. Os sites que se especializam nesse tipo de conteúdo recebem publicidade paga como outro qualquer do mercado –no Brasil, estimou-se que a operação chegue a render até R$ 100 mil mensais.

Essa constatação reforça a preocupação de quem vê nessa pratica uma falha da política comercial das grandes empresas que atuam na internet. Ao remunerar anúncios em função do número de acesso aos sites, pode-se estar, involuntariamente, estimulando a propagação de conteúdos sensacionalistas e criminosos.

Esse é um debate importante. É preciso acompanhar como se dará na prática a iniciativa anunciada pela Google e Facebook de formar parcerias com veículos conceituados de comunicação ou agências de checagem de dados, na tentativa de debelar o problema.

Confesso-me um conservador nesse assunto. Verdade é verdade. Mentira é mentira. Precisamos voltar a essa simplificação fundadora. Do contrário, arriscamos perder as referências mais elementares, engolfados pelo tsunami de informações que nos chegam pelas telas onipresentes dos smartphones.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Aécio : " O ministro Velloso é um extraordinário nome para o Ministério da Justiça"








Brasília - O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta quarta-feira, 15, que os nomes do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso e do deputado peemedebista Rodrigo Pacheco, ambos mineiros, são "altamente qualificados" para ocupar o Ministério da Justiça. "O ministro Velloso é um extraordinário nome.


O deputado Rodrigo Pacheco, de Minas, tem qualidades também, apesar de estar em seu primeiro mandato. Poderia cumprir ali um bom papel", disse.

O tucano afirmou apoiar qualquer nome qualificado que Temer venha a indicar, mas destacou que essa escolha não pode ser uma "indicação partidária".

Segundo ele, o PSDB estimula também que essa escolha possa ocorrer o "mais rapidamente possível". "O cargo de ministro da Justiça não combina com indicações partidárias", reforçou.

Nos bastidores, Aécio tem trabalhado por Velloso na Justiça.


O ex-presidente do STF reuniu-se nesta terça-feira, 14, pessoalmente com Temer, de quem é amigo, em Brasília.


Em entrevista ao Broadcast Político (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada, Velloso disse que nenhum ministro da Justiça pode ser um "entrave" para a Operação Lava Jato

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2017/02/15/nomes-de-velloso-e-pacheco-sao-altamente-qualificados-para-justica-diz-aecio.htm

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Aécio : "Um país inteiro precisa ser reconstruído. O Brasil merece esta nova chance"






Aécio Neves / Folha de São Paulo


Sinais de melhora começam a despontar no Brasil

Foram três dos piores anos da história econômica do país. Mas, finalmente, os sinais de melhora começam a despontar aqui e acolá, reavivando a esperança na população. Se confirmada, será uma vitória não de um governo, mas de todos os brasileiros.


A crise atual vem desde o início de 2014 e foi se aprofundando em razão dos reiterados equívocos cometidos pela administração anterior. Todos os alertas sobre a gravidade da situação eram ignorados, as necessárias mudanças de rumo não aconteciam e as perspectivas do país pioravam a cada dia. Esse tempo passou.


Hoje sabemos que a herança era bem mais maldita do que se imaginava. Com isso, a economia continuou afundando até os meses finais do ano passado. Agora surgem as primeiras indicações reais de que o quadro começa a melhorar de fato. Não é mera torcida.


A primeira vitória foi o controle da inflação, que caiu pela metade nos últimos 12 meses e agora caminha para manter-se na meta nos próximos anos. O povo brasileiro tem a estabilidade de sua moeda como um valor absoluto, uma conquista arduamente alcançada a partir do Plano Real, e sabe que dela não pode abrir mão.


O assunto, porém, não merecia da antiga gestão a atenção e o cuidado devidos. Com a troca de governo, voltou a merecer. A sinalização do Banco Central de que seria implacável com a alta dos preços respondeu às angústias da população, cujos rendimentos caíam ou simplesmente zeravam em razão do desemprego. Foi, portanto, o povo o principal agente da reviravolta.


A queda da inflação também permite forte redução dos juros, com efeitos positivos relevantes sobre a dívida das famílias, das empresas e do governo. Abre espaço, ainda, para o reequilíbrio das contas públicas, a ser consolidado com as reformas estruturais e com rígido controle de gastos pelo governo.


Os sinais de vida pipocam na economia real, a começar pela nossa agricultura. Contra tudo e contra todos, a despeito das péssimas condições logísticas, dos entraves e da perda de competitividade, o país caminha para colher neste ano a maior safra de grãos da sua história.


É comida mais barata na mesa, mais empregos, mais exportações e mais dinheiro irrigando a vida de milhares de localidades pelo Brasil afora, fruto da vitalidade dos nossos produtores e trabalhadores rurais.


O jogo está virando. No entanto, ainda são apenas os primeiros passos de uma longa jornada. Existem 13 milhões de pessoas que precisam ser empregadas.


Um país inteiro precisa ser reconstruído. Mas já temos o que é mais importante: clareza de propósitos e coragem para fazer o que precisa ser feito. O Brasil merece esta nova chance.

Aécio Neves 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Aécio cobra uma vida mais digna para os brasileiros









Aécio Neves - Jornal Estado de Minas - 11/02/2017


Vida mais digna


Há um ano, ao refletir sobre a epidemia do vírus Zika, que então assustava – e ainda assusta – a população, eu alertava em artigo publicado para o fracasso das nossas políticas públicas de saúde. Infelizmente, diante do atual surto de febre amarela que impacta especialmente Minas Gerais e já é o maior registrado no país desde 1980, somos obrigados a reconhecer que a saúde pública no Brasil permanece muito doente.


Basta ver a questão do saneamento, onde os dados são desalentadores. A lei que fixa as diretrizes do saneamento básico completou mês passado 10 anos de sua promulgação, com resultados medíocres. Estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a universalização dos serviços de coleta de esgoto e rede de água no Brasil só será alcançada após 2050 – um atraso de 20 anos em relação à meta fixada.


Não é preciso ir muito longe para enxergar o drama da sobrevivência em condições precárias. As grandes cidades brasileiras, em suas periferias, favelas e comunidades mais pobres, ostentam enormes bolsões de vida degradada.


São milhões de moradias erguidas em áreas sem saneamento, onde as pessoas consomem água não tratada, usam banheiros improvisados, convivem com esgoto a céu aberto e depósitos de lixo férteis em doenças contagiosas. As crianças são vítimas contumazes desses ambientes despidos de dignidade.


O déficit de saneamento não impacta apenas a área da saúde. O número de internações por infecções gastrointestinais é grande, gera vários danos à saúde do trabalhador e tem reflexo até mesmo na produtividade do país. Na educação, segundo dados da Pnad/IBGE, os alunos que vivem em áreas sem acesso à coleta de esgoto têm atraso escolar maior que os outros.


Qual o futuro possível para essas crianças e jovens?


Esforços nessa área devem ser permanentes e ter continuidade a longo prazo. Apenas como exemplo, em uma década de administração do PSDB em Minas, ampliamos o serviço de abastecimento de água e triplicamos a cobertura de esgotamento sanitário, criando 133 novas estações de tratamento de esgoto.


Há muito a ser feito no país no campo da saúde pública. União, estados e municípios têm responsabilidades e objetivos a ser compartilhados. Em época de contenção, é preciso zelar pela qualidade dos gastos públicos. Estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que a cada R$ 1 investido em saneamento poupam-se R$ 4 em saúde.


Nenhum ser humano merece viver em condições insalubres. É inaceitável que condições medievais de existência ainda vigorem em pleno século 21. Hoje, mais de 100 milhões de brasileiros ainda vivem à margem dos serviços essenciais de saneamento.

São muitos os desafios que precisamos enfrentar para reencontrar um caminho de prosperidade. Entre tantas escolhas a serem feitas, certamente, a prioritária é assegurar padrões civilizados de vida para todos os brasileiros.

Aécio Neves