Aécio quer Bolsa Família para pais empregados
"Pais de família têm receio de amanhã serem demitidos e
terem que voltar ao programa e não conseguirem rapidamente a reinserção",
Aécio Neves (PSDB-MG), senador e pré-candidato à Presidência
O senador Aécio Neves, do PSDB-MG, pré-candidato à
Presidência da República, apresentou ontem projeto que estende o pagamento do
Bolsa Família por até seis meses para os pais incluídos no programa que
encontrarem emprego com carteira assinada. O senador considerou o próprio
projeto uma ousadia e entende que a iniciativa vai estimular que os
beneficiários busquem um emprego. "Não acho que seja um custo, acho que é
um estímulo, mesmo que eles tenham que receber o cartão durante seis meses. Ao
contrário, porque depois desses seis meses, se ele se firmou no trabalho,
obviamente não receberá", avalia.
As regras em vigor do programa suspendem o pagamento se o
beneficiário conquistar o emprego. O Bolsa Família completou 10 anos e é uma
das principais bandeiras do governo petista.
O parlamentar mineiro voltou a classificar o programa como
peça eleitoreira e instrumento para estatísticas oficiais. "Um dos
problemas que constatamos é que pais de família, mesmo com uma oferta de
trabalho, têm receio de amanhã eventualmente serem demitidos e terem que voltar
ao programa e não conseguirem rapidamente a reinserção", disse. Para
Aécio, faltam, ao Bolsa Família, estratégias para tirar em definitivo as
pessoas da miséria e qualificá-las para entrar no mercado de trabalho.
Na semana passada, o senador mineiro apresentou outro
projeto, com o objetivo de transformar o Bolsa Família em programa de Estado,
para que, na visão dele, fique "imune a manipulações políticas e
eleitorais". A proposta foi apresentada no mesmo dia em que a presidente
Dilma e o ex-presidente Lula comemoraram os 10 anos do programa, com críticas
aos tucanos. Entretanto, foi justamente o governo do PSDB que iniciou os
programas de transferência de renda que culminaram no Bolsa Família.
"Para nós, do PSDB, os programas de transferência de
renda devem ser vistos sempre como ponto de partida, e não como compreende o
PT, como um ponto de chegada. Por isso, o estímulo para aquelas famílias que
recebem o cartão possam eventualmente se reintegrar no mercado de trabalho deve
ser permanente", disse o senador tucano ontem, na saída da sessão da
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Aécio comentou ainda o fato de ter votado contra o projeto
analisado ontem na CCJ, que previa a divulgação das doações de campanha na
internet durante todo o processo eleitoral. Para o senador, o projeto, que
acabou sendo rejeitado, daria margem para que o governo pressionasse empresas
que têm contratos com a administração federal e que desejassem fazer doações
para candidatos da oposição Correio Brasiliense