Campanha dos sem-padrinho
Alice Maciel
Os vereadores do PT de Belo Horizonte, eleitos em 2008 com
apoio das principais lideranças do partido na capital mineira, este ano
disputam espaço com outros candidatos, queridinhos dos caciques petistas. O
ex-ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, candidato à prefeitura,
Patrus Ananias (PT), que sempre deu força à campanha do vereador Arnaldo Godoy
(PT), este ano está colado no seu filho, Pedro Patrus (PT), iniciante na
corrida eleitoral. O deputado federal Miguel Corrêa (PT), que ajudou a eleger
João Locadora (PT) em 2008, desta vez escolheu o seu chefe de gabinete,
Juninho, para apadrinhar. O vice-prefeito Roberto Carvalho (PT), que apoiou a
campanha de Paulo Lamac (PT) no pleito anterior, vai tentar com sua imagem
transferir votos a sua assessora na prefeitura, Palowa Mendes. Já o ministro
Fernando Pimentel está muito ocupado com a campanha de Patrus. Com isso, quem
sai perdendo é a vereadora Neusinha Santos, que sempre teve seu apoio.
Apesar de alegar que não estão muito preocupados com isso,
nos bastidores, a informação é de que alguns parlamentares do PT andam
"choramingando" pelos corredores da Câmara o abandono. Arnaldo Godoy
assume que "há interseção" entre a sua campanha e a de Pedro Patrus,
mas nega que haja uma disputa interna por isso. "Nós fazemos parte da
mesma corrente do PT, a do Patrus, Nilmário, André Quintão", observou
Godoy. Ele disse que, apesar de Pedro disputar os votos com ele, a candidatura
do filho do Patrus não traz maiores transtornos à sua campanha.
"Inclusive, quando eu sei por algum motivo que alguém não vai votar em mim
eu indico o Pedro e vice-versa", ressaltou. O parlamentar contou ainda que
Patrus, o pai, lhe enviou uma carta elogiando a sua atuação na Câmara.
A briga entre os petistas por eleitores está mais acirrada
em Venda Nova. Dois vereadores, Silvinho Rezende e João Locadora, disputam
votos com Juninho, o escolhido de Miguel Corrêa para a Câmara Municipal. Em
2008, João Locadora conseguiu se eleger para o primeiro mandato usando a imagem
do deputado em sua campanha. No entanto, eles romperam logo depois do pleito e
acabaram virando rivais na regional. Segundo o vereador, Corrêa descumpriu o
combinado de só apoiar, naquele ano, ele mais dois candidatos. "Ele acabou
dando apoio para mais de 10", reclamou João Locadora acrescentando que tem
hoje ao seu lado o deputado federal Gabriel Guimarães(PT). Já o vereador
Silvinho Rezende alegou que teve o apoio de Miguel durante o seu mandato.
"A gente faz o trabalho em conjunto", afirmou o parlamentar.
BRAÇO DIREITO Assim como Miguel Corrêa, Roberto Carvalho não
escolheu um vereador para apadrinhar. A queridinha do vice-prefeito nestas
eleições é o seu braço direito, Palowa Mendes, que trabalhava com ele no
gabinete. Na disputa passada, Carvalho ajudou Paulo Lamac a conquistar uma
cadeira na Câmara. Lamac foi para a Assembleia em 2010 e Tarcísio Caixeta
assumiu o seu lugar no Legislativo municipal.
"No PT cada um tem seus grupos que apoiam seus
candidatos. Nós somos mais de 40 candidatos no partido, que não tem tantos
grupos assim", disse Caixeta acrescentando achar natural que os caciques
tenham os seus candidatos. O vereador foi líder de governo de Marcio Lacerda
(PSB) na Câmara e um dos mais prejudicados com o rompimento da aliança entre PT
e PSB. Já o vereador petista Adriano Ventura tem na Igreja Católica seus
principais eleitores.
Estado
de Minas