Não consigo ver Eduardo como adversário, diz Aécio
Presidenciável do PSDB diz ser 'companheiro' de pessebista e reforça o discurso da oposição
Filippo Cecilio, do R7, em Comandatuba (BA)*
Aécio diz que ele e Campos "olham na mesma direção" da políticaGeorge Gianni/PSDB
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG), disse nesta sexta-feira (2) que não enxerga seu rival na disputa pelo Planalto Eduardo Campos (PSB) como um adversário. A fala do tucano é uma tentativa de fortalecer o discurso oposicionista e desgastar ainda mais a já desidratada imagem da presidente Dilma Rousseff (PT).
— Somos companheiros do mesmo sonho, queremos a mesma coisa. Nos imagino como uma mesa de um lado só, com todos olhando na mesma direção.
Aécio participa do Fórum de Comandatuba, evento organizado pelo Grupo Lide que reúne políticos e empresários para debater suas propostas de governo. O fórum, de acordo com seus organizadores, reúne 52% do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma das riquezas de uma nação) privado do País.
Falando para uma plateia 100% favorável ao seu discurso, o tucano afiou o bico e partiu para cima dos adversários — o PT em especial.
— Diferente de alguns, não acho que o Brasil foi descoberto em 2003. Desde o processo de redemocratização, viemos construindo etapa a etapa esse grande edifício que hoje habitamos. Reconhecer a história é um passo importante para construir o futuro desejado.
Na sequência, pegando a todos de surpresa, Aécio disse que iria reconhecer méritos no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O susto passou no instante seguinte, quando ele elencou as qualidades que vê em Lula.
— [Lula] Adotou integralmente os pilares macroeconômicos do presidente Fernando Henrique Cardoso e adensou os programas de transferência de renda criados pelo PSDB através da sua unificação. Reconheço esse mérito em Lula.
Depois disso, Aécio criticou a "maquiagem dos dados fiscais" feita pelo governo federal, que teria, em sua visão, tirado a credibilidade do País perante investidores.
O tucano prometeu aos empresários reduzir a carga tributária e resolver a questão previdenciária, mas, para isso, colocou como pré-condição a realização de uma reforma política.
— Tenho uma diferença profunda do modo de governar dos meus adversários. O setor público não precisa ser ineficiente por ser público. A máquina pode funcionar de forma mais efetiva. A reforma política nos dará condições reais de discutir a questão tributária e previdenciária. Defenderei o fim da reeleição e mandato de cinco anos para todos os cargos públicos.
Os participantes das mesas de debates e mesmo as conversas ao pé de ouvido durante as refeições no Fórum de Comandatuba repetem sempre a mesma nota: críticas ao governo do PT e à relação da presidente Dilma Rousseff com o empresariado.
Convidada, Dilma não participará do evento na Bahia porque estará na abertura do encontro nacional do PT em São Paulo. Sua ausência foi bastante reclamada por João Dória Júnior, presidente do Lide, que reiteradamente declarou que espera que a presidente seja "democrática" e aceite participar de um próximo evento do grupo.
Como Dória arrecadava doações dos empresários ouvintes para o Instituto Ayrton Senna, e como elas chegavam em grande quantidade e numa velocidade impressionante, o tucano brincou dizendo que não precisa mais procurar alguém para cuidar da parte de arrecadação de sua campanha.
— Encontrei um arrecadador: João Dória, o posto é seu. É uma brincadeira, evidente, mas pense no assunto.
Fonte : http://noticias.r7.com/