A OBRA DE DEUS E A DOS HOMENS


Como vocês podem ver no meu post abaixo , eu digo de forma irreverente e bem humorada que “ se Deus é brasileiro... com certeza nasceu em Minas Gerais...” , Com isso tenho tentado mostrar que certos homens são escolhidos e buscam a obra de Deus de uma maneira nada eclesiástica mas muito sacerdotal.


Quando falamos então na criação da arte podemos chegar ainda mais perto desse conceito. Etienne Souriau nos brinda com um excepcional texto em “ La Correspondance des Arts - Flammarion 1947” e nos diz que as artes são “fabricadoras de coisas. Por elas se erigem as catedrais, as estátuas, as sinfonias, os vasos, as epopéias, os quadros, os dramas. Por elas, as vibrações sonoras do ar, os gestos dos corpos em movimentos tomam valor de monumentos.
Por elas, os sonhos e as entrevisões vagas de uma alma iluminada ou fervente caminham para outra finalidade concreta e acabam por se cumprir em realidades exteriormente e duravelmente presentes ante os homens. Mas devemos medir bem a grandeza dessas realidades.


Por certo o labor de um Leonardo da Vinci, de um Miguel Ângelo ou de um Wagner não iguala nem em imensidade nem em riqueza o de um Jeová nos seus seis dias. Mas é na sua essência, da mesma natureza.


A “ Virgem dos Rochedos” ou “ Os Peregrinos de Emaús”, a catedral de Reims ou os túmulos dos Medicis, a “ Sinfonia com Coros” ou o “ Encanto da Sexta Feira Santa” , não são apenas grupos de cores sobre um painel, ou enxames de notas fazendo vibrar no ar, ou pedras amontoadas e esculpidas.


Cada uma dessas obras é também todo um mundo com suas dimensões espaciais, temporais e também dimensões espirituais, com seus ocupantes reais ou virtuais, inanimados ou animados, humanos ou sobre humanos, com o universo de pensamentos que desperta e mantém cintilantes seus espíritos “.


E isso é porque ele não teve a sorte de conhecer em Minas o nosso Aleijadindo, o mestre Guimarães Rosa , o poeta Carlos Drumont de Andrade entre muitos outros , também detentores desse poder maior.