Anastasia quer dar sentido para a suplência de senadores



Anastasia defende mudanças para suplentes de senadores

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RODRIGO FREITAS



Aos 53 anos, o ex-governador Antonio Augusto Junho Anastasia (PSDB), que não pensava em ser político, tenta galgar mais um passo. O desafio da vez é o Senado. Numa rotina de campanha que chega a até 15 horas de trabalho por dia, o tucano tem viajado pelo Estado. Em média, visita três cidades diariamente e se reveza no corpo a corpo com o eleitorado e em reuniões com os prefeitos do interior.



“É uma rotina cansativa, mas faz parte da política este momento da campanha. Tenho tentado ler livros e ver filmes para descansar, mas, até para isso, meu tempo está curto”, disse Anastasia ao chegar, na última terça-feira, aos estúdios de TV de O TEMPO, onde concedeu uma entrevista exclusiva. Naquele dia, após o bate-papo na TV, ele ainda visitou de helicóptero as cidades de Itabirito, Congonhas e Ouro Branco, na região Central de Minas Gerais.



Workaholic, ele dorme tarde e acorda cedo. É também sempre muito pontual. Marcou a entrevista para as 9h, mas chegou 20 minutos antes. “Tenho que me cuidar, pois estou com problemas de garganta. Esse tempo seco e o ar-condicionado dos estúdios de TV e dos aviões não estão me ajudando. E eu já falo muito desde sempre, afinal, sou professor”, confidenciou, sorridente, caminhando pela redação.



Líder disparado em todas as pesquisas de intenções de votos para o Senado, Anastasia se mostra cauteloso. “Ainda é muito cedo. Fico feliz pelos resultados, mas não é hora de comemorar. É hora de trabalhar ainda mais para que consigamos estar no Senado no ano que vem”, afirmou o tucano.



Filho do comerciante de ascendência italiana Dante Anastasia e da professora Ilka Junho Anastasia, o candidato ao Senado tem no sangue a atividade de servidor público. Formado em direito pela UFMG, ele atuou na Fundação João Pinheiro como formulador de políticas públicas e é professor de direito administrativo da própria UFMG. As irmãs, Carla e Fátima, também são educadoras. A avó materna foi professora, e o avô, fiscal de rendas do Estado.



Em linhas gerais, quais são suas principais propostas caso seja eleito ao Senado?



Teria uma bandeira principal. Essa bandeira principal – tenho falado muito nela, de maneira muito exaustiva até – é o tema da federação.



Por quê?

A minha experiência nos últimos anos no governo de Minas me mostrou que a federação brasileira está debilitada. Aliás, esse registro não é só meu. Recentemente, 27 governadores, nós estivemos em Brasília, no Congresso Nacional, para apresentar ao governo federal uma pauta de fortalecimento da federação brasileira, de modo a concedermos mais autonomia e mais recursos aos Estados e municípios. Quanto mais nós descentralizarmos, mais rápido nós teremos a solução dos problemas.



O senhor acha que vai ser fácil conseguir lidar com essa situação espinhosa, no atual cenário legislativo?

Eu acho que sim. E sabe o motivo? Porque há um sentimento grande hoje no Brasil de que as coisas não funcionam, e as manifestações do ano passado são uma grande comprovação disso.



Sobre as reformas tributária e política. Como viabilizar isso?

Nós percebemos um quadro hoje no Brasil que precisa ser modificado – um número muito grande de partidos, uma legislação eleitoral confusa, uma falta de reconhecimento das pessoas nos partidos. Diria até uma falta de legitimidade, o que, aliás, é reconhecido por todos. Por outro lado, a reforma tributária – essa é imprescindível. Falta liderança do governo federal para pautar a discussão e a votação desse assunto. Nós precisamos ter o fim da guerra fiscal e, claro, a reforma tributária, que deve se pautar por um palavra que é a mais singela de todas: “simplicidade”.



Sobre a reforma política, uma das questões que se coloca é a situação dos suplentes ao Senado, que, por vezes, assumem mandatos sem receber votos. Isso deve mudar?



O tema é polêmico. Em Minas Gerais, em razão de dois falecimentos, ainda tivemos um debate maior. Mas é o que a legislação determina. Eu acho até que na reforma política esse tema será bastante discutido.



O que o senhor defende?

Eu acho que o deputado federal mais votado do partido do senador poderia ser o sucessor no Senado. Porque já é do próprio partido e poderia, caso quisesse, assumir.



Muito se critica as Casas Legislativas do Brasil pela morosidade, pelas questões de negociação que envolvem essas Casas, pela submissão ao Executivo. Como o senhor pretende mudar essa realidade? Há quem considere o Senado desnecessário.



Essa sensação que você diz é verdadeira, mas é uma pena. Porque a democracia depende fundamentalmente do Legislativo, e, no caso brasileiro nas últimas décadas, houve uma valorização do Poder Executivo, que ficou exagerado e passou a legislar, através das medidas provisórias. A Casa Legislativa é muito importante, e cabe aos membros dos Parlamentos, pela sua conduta, comportamento e esforço, dar o bom exemplo, criando os projetos de lei. E, é claro, que o Poder Executivo permita que o Legislativo funcione.



O senhor ocupou cargos do Executivo e tem um perfil muito prático. Vai ter paciência com o Legislativo, com a morosidade e a dificuldade das negociações?

Bem, eu tive uma experiência, quando ainda não tinha 30 anos, na Assembleia Constituinte Mineira. Eu fiquei um ano e meio praticamente morando na Assembleia e lá acompanhei passo a passo o processo constituinte do Estado, em 1989. Uma experiência única na minha formação e no conhecimento sobre o Estado. Dali, segui para o Executivo. Mas ali eu entendi como aquilo ocorre. Durante todos esses anos no governo do Estado e no governo federal, eu sempre tive paciência. Paciência, eu sempre tive muita. E para tudo.



No ano passado, muito se falou que, se dependesse da sua vontade, o senhor voltaria a dar aulas de direito e não voltaria a se candidatar a cargos eletivos. Por que o senhor já estaria cansado da vida política?

A minha pretensão, desde o início, era completar o mandato de governador. A minha vontade era uma vontade individual. Eu digo sempre que ninguém é candidato de si mesmo, então, da mesma forma, as candidaturas decorrem de um entendimento de um grupo político.



Se dependesse pessoalmente do senhor, então, o senhor não seria candidato?

Não importa dizer. A candidatura nunca é uma escolha pessoal, no momento em que eu aceitei o convite, obviamente, eu passei a desejar, a trabalhar e pretendo vencer as eleições e ser um bom senador. Eu não esperava ser governador. Há seis anos, se você perguntasse se eu teria pretensões de ser governador, eu diria que nunca passaria pela minha cabeça.



INFOGRÁFICO – BIOGRAFIA ANASTASIA

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